quarta-feira, 22 de julho de 2015

Creme de amêndoas (falso creme de leite) - para receitas doces e salgadas

Olá!

O blog teve uma visualização máxima nesse mês de julho, daí vi que já estava passando da hora de publicar, rsrs.
Estou com muitas receitas novas que venho acumulando, ás vezes não consigo conciliar várias coisas ao mesmo tempo (ser mãe, doutoranda, "meio" culinarista...).

Na penúltima postagem, contei que minha filha não estava mais tendo reações alérgicas ao leite. Continua desse modo, graças a Deus! Porém, um fato curioso é que ela continua dando preferência ao que estava acostumada a comer. Se oferecemos pizza, por exemplo, ela diz: _Eu não gosto de pizza! (Nota: Comer pizza é coisa rara aqui em casa, mas como meu marido gosta muito, ás vezes temos que fazer concessões). Não insistimos em oferecer porque sabemos que ela aprendeu a restringir certos alimentos em seu cardápio. Com isso, continuamos mantendo a alimentação dela como antes, pois entendemos que é também muito mais saudável. De vez em quando ela pede bala de goma ou pirulito, nós damos e explicamos a razão de não podermos comer estas "porcarias" com frequência, e ela entende. Estou "confessando" isso para não parecer incoerente com a minha fala de alimentação saudável quando alguém a vir com bala ou pirulito na mão.

Bem, permanecendo tudo como antes continuo com a odisseia das receitas, mesmo porque ela sarou, mas eu tenho intolerância a lactose.

Outro dia, fiquei pensando em creme de leite. Queria fazer uma receita e precisava do "bendito". Eu tinha em casa amêndoas e biomassa de banana verde, daí achei que seria uma combinação perfeita! E ficou. Como já disse uma vez, NÃO ADIANTA ACHAR QUE SERÁ IGUAL À CREME DE LEITE, POIS NÃO SERÁ!!!! Mas, é uma opção muito mais saudável e tão bom quanto: não é industrializado. 

Vamos à receita?

Creme de amêndoas (creme de leite)

Ingredientes

1 xícara de amêndoas 
1/2 litro de água filtrada
1 xícara de biomassa de banana verde


Preparo

Deixe as amêndoas de molho por 4 horas. Despreze a água. Há pessoas que tiram a casca, eu não tiro porque não tenho tempo! Coloque as amêndoas no liquidificador com 1/2 litro de água filtrada. Bata na velocidade máxima até triturar toda a amêndoa. Use um pano ou organza para coar (há uma empresa que vende como "panela furada"). Não jogue fora os resíduos. Volte o leite de amêndoas para o liquidificador e acrescente 1 xícara de biomassa de banana verde aos poucos, com o liquidificador ligado. Pode ser que você queira uma textura mais grossa ou mais rala, fica ao seu critério. O creme pode ser usado para fazer receitas doces ou salgadas.

A receita da biomassa que eu utilizo é da Bela Gil: http://gnt.globo.com/receitas/receitas/biomassa-de-banana-verde-receita-da-bela-gil.htm. Muito boa e dá para congelar, mas prefiro usar assim que acabo de fazer.

DICA: Utilize o resíduo da amêndoa como se fosse uma ricota. Acrescente alho picado, sal, azeite e ervas, tudo a gosto. Também dá para aproveitar a casca da banana cortando-a em tiras, refogando como se fosse carne.

Infelizmente, não fiz foto. :(






quarta-feira, 1 de abril de 2015

Canjica com leite de coco

Olá!

Está chegando a páscoa! Uma data religiosa comemorada das mais variadas formas. Tenho percebido que alguns costumes brasileiros sofrem variação com a mudança de estados. Aqui em São Paulo, por exemplo, não vejo as pessoas que conheço falando que vão fazer canjica na páscoa, já em Niterói era mais comum, inclusive ver as promoções do produto no mercado. Em São Paulo é mais comum ver este alimento nas festas juninas.

Minha filha estuda em uma escola que faz lanches coletivos nas datas comemorativas, uma forma bem bacana de integrar a comunidade, visto que não temos tempo para pararmos e conversarmos no dia-a-dia. É uma forma também, ao meu ver, de eu mostrar um pouco como é a dieta da minha filha. Ano passado, por ocasião da festa junina fiz uma canjica sem leite de vaca ou leite condensado e sem açúcar refinado. Resultado? Todos que comeram, simplesmente adoraram!

Quando falo em canjica, estou me referindo ao milho branco, que no Nordeste tem o nome de munguzá, mas no Sudeste se chama canjica mesmo.
De acordo com o site http://www.revistavegetarianos.com.br/noticias/canjica/, o milho colhido verde para por um processo de secagem resultando na canjica. Este alimento possui proteínas, ferro, fibras, magnésio, zinco, vitaminas B1, B2, B3, B5, B6 e ácido fólico. Fiquei pensando se não é por causa disso que as pessoas mais velhas ficam dizendo que as recém-mamães têm que tomar muita canjica (o que não procede, como sabemos, pois a produção de leite materno está associada à quantidade de água ingerida). A canjica possui ainda gorduras boas para o colesterol, diminuindo o risco de doenças cardiovasculares.

O milho é um produto muito consumido em diversas partes do mundo. No livro Uma história da vida rural no Brasil, encontramos que o milho é uma "invenção" essencialmente indígena e há vestígios de que no vale de Tehuacán, no México, seu cultivo ocorreu há mais de 5 mil anos! No Brasil, há registros arqueológicos da espécie que datam de há mais de 3 mil anos. Seu uso, inicialmente, era para alimentar animais como galinhas e porcos e no alimento dos escravos. Somente no século XVII, o alimento passa a ficar mais popular. No interior de São Paulo, até mesmo pela influência indígena, o milho conquista seu lugar. Antonio Cândido, em seu livro Os parceiros do Rio Bonito, resultado de uma pesquisa de campo com caipiras do interior de São Paulo percebeu que o feijão, o milho e a mandioca (este último depois substituído pelo arroz) constituíam a alimentação básica do caipira, no início do século XX.

O único problema do alimento é que, infelizmente, quase todo o milho produzido no mundo é transgênico, :(.

Vamos à receita?

Canjica com leite de coco

Ingredientes

250 gramas de canjica branca
1 coco seco
1 vidro de leite coco (sococo de preferência) de 400 ml
açúcar demerara à gosto
canela em pau à gosto
canela em pó à gosto

Preparo do leite de coco caseiro

Aqueça 1 litro de água filtrada (não é para ferver). Pique o coco e coloque no liquidificador. Junte a água aquecida e bata por uns 5 minutos. Coe o leite. Apesar de usar o "resíduo do coco" na canjica, eu separo porque fica muito para o meu gosto. Perceberam que dá para usar o leite de coco e o resíduo do coco (como se fosse ralado)? Coloque o resíduo do coco em uma vasilha e reserve os dois.

Preparo da canjica

Deixar de molho de um dia para o outro. Gosto de fazer isso para limpar bem o alimento e também na hora de cozinhar vai ficar pronto bem rapidinho. No dia seguinte, despreze a água do molho (mas aproveite-a para outra coisa, a natureza agradece!) e coloque a canjica com nova água numa panela de pressão (uns 3 dedos de água acima da canjica). Quando a panela de pressão começar a chiar, diminua o fogo e deixe por aproximadamente 20 minutos (depende do fogão de cada um). Espere sair o ar e abra a panela para ver se está ao dente. Despreze a água do cozimento.

Na mesma panela junte o leite caseiro e o leite de coco industrializado, parte do resíduo de coco, a canela em pau e o açúcar a gosto. Eu gosto de pouco açúcar, mas para quem não está acostumado pode ficar ruim. Eu dei um pouco da canjica que fiz recentemente para uma amiga e ela disse que adorou, portanto é uma pessoa que também não gosta de nada muito doce.

Para quem não tem muito tempo, pode usar somente o leite de coco industrializado. Abrir coco dá trabalho! Mas, eu prefiro pela questão econômica, pois fica mais barato.

Outra variação: Dá para fazer sem o leite industrializado, somente com o caseiro, mas nesse caso tem que fazer 2 litros. Para engrossar, misture uma colher ou duas colheres de amido de milho em um pouco de leite de coco frio e junte à canjica, também fica bom. Lembre-se do açúcar e das canelas!

Após o preparo sirva quente, com bastante canela em pó por cima. Na foto abaixo, ralei um pouco de amêndoa e joguei por cima.

Curiosidade: outro dia vi uma receita de canjica salgada! Não tive tempo de fazer ainda. Mas, para quem é vegetariano/vegano e quer variar as proteínas, esse pode ser um bom prato.

Boa receita!




terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Bolinho de maçã com mel e óleo de coco

Olá!

Estou há um tempo sem escrever, não por falta de receitas, mas por falta de tempo mesmo. Durante esse intervalo, pude ler um pouco mais sobre a culinária saudável, trazendo novas opções para o mundo da alergia alimentar.

Aqui em casa reduzimos em 100% o consumo de leite e derivados. Abrimos algumas exceções, quando sabemos que vamos receber visitas que não estão acostumados a ficarem sem estes alimentos. Minha filha não tem reagido aos traços de leite (GRAÇAS A DEUS!), o que significa que podemos compartilhar, por exemplo, a mesma esponja que lava um copo com suco e um copo com leite. Eu e meu marido decidimos que, mesmo quando a pequena estiver curada iremos manter a culinária saudável em casa. A gastropediatra dela já pontuou que talvez ela possa deixar a alergia a caseína e ficar com uma intolerância a lactose, como eu. Acho que ainda não falei sobre isso aqui no blog.

Desde que me entendo por gente passo mal ao comer certos alimentos (sou da geração danoninho e polenguinho). Sempre tive problemas com cólicas e diarreias, sem saber a razão. Fui diagnosticada com Síndrome do Intestino Irritável em 2006, após comer uma delícia de camarão em Recife. Fiz quase 8 meses de tratamento. De vez em quando, com a grande carga de trabalho, a Síndrome acaba voltando. Mas, curiosamente, quando tive que fazer dieta para dar de mamar à minha filha (em 2012) me senti super bem. Incrível! Não tinha cólicas, passei a ter uma regularidade intestinal, apesar de ter emagrecido muito me sentia super bem. Quando minha filha deixou o peito, voltei a comer chocolate, pizza e outras "coisitas" mais com queijo, porque ADORO queijo!!!! Eu fazia um fuzilli integral com gorgonzola, hummm, de raspar o prato. No entanto, também voltei a me sentir muito mal. As conversas em que tive com gastros, após o diagnóstico da minha filha, apontavam para uma hereditariedade, de mim para ela, no caso. Possivelmente, a minha intolerância a lactose fez com que a Agnes fizesse alergia à caseína. Por todo o histórico, a última gastro dela pediu um exame para mim também, a fim de confirmar, mas eu não fiz. O plano de saúde não cobria e no particular era muitíssimo caro. Pensei que, na verdade, eu não precisava de exame algum porque eu sabia que toda vez em que bebesse leite (parei há 3 anos) ou comesse algum derivado (como raramente) passaria mal, como das outras vezes. Enfim, tenho um diagnóstico mas, sem confirmação laboratorial. O que significa que o diagnóstico de alergia da minha filha foi um diagnóstico para mim também! Eu já tenho uma alimentação regrada há alguns anos, mas pude modificar ainda mais fazendo a opção por encontrar nos legumes, frutas, castanhas, verduras, novos sabores, descobrindo novas receitas.

Dias atrás fiz mais uma substituição. No lugar do óleo de canola que usava para fazer bolos, passei a usar o óleo de coco. Que riqueza! Que leveza! Como já disse em outra postagem, eu não fico contando calorias, o meu objetivo é manter a minha família na linha da alimentação saudável, sem me preocupar se vamos engordar ou não. Mesmo porque, se a alimentação é saudável, feita na hora certa, da forma correta, dificilmente uma pessoa ficará acima do peso.

O óleo de coco ao ser levado ao fogo não perde suas características nutricionais e é saudável para cozinhar! A receita de hoje leva óleo de coco. Chamo de bolinho, mas minha filha chama de "copiqueique", aprendeu a falar e toda hora quer fazer o tal do "copiqueique"! Ah! Ela fez esta receita juntamente comigo! Espero que gostem!


Bolinho de maçã com mel e óleo de coco

Ingredientes

2 maçãs pequenas picadas, sem casca
2 ovos
1/2 xícara de óleo de coco
1/2 xícara de mel
2 xícaras de farinha de trigo integral (quem não gosta muito, pode misturar com farinha branca)
1 colher de sopa de fermento
1 colher de sopa de canela em pó

Preparo

Aqueça o forno. Bata no liquidificador os quatro primeiros ingredientes. Misture a farinha, o fermento e a canela e despeje o conteúdo do liquidificador. Misture tudo. Coloque em forminhas pequenas para cupcake/muffin ou numa forma com furo no meio. Leve ao forno (180º) por mais ou menos meia hora (depende do forno).






O resultado é uma massa bem leve por causa do óleo de coco.
Pode substituir a maçã por banana ou outra fruta, e acrescentar passas ou outras frutas secas.

Boa receita!