Hoje não vou publicar nenhuma receita de natal, farei isso logo após a data porque testarei uma sobremesa na ocasião. Mas, pensei em deixar uma mensagem que corresponda a este momento.
Pensei em escrever sobre os ganhos deste ano com relação à visibilidade que a luta dos alérgicos ganhou, mesmo que tenhamos um grande caminho a trilhar. Porém, acordei pensando na fome e como esse direito tem sido negado a milhões de pessoas no mundo.
Já disse aqui que passo boa parte do meu tempo pensando em comida, mas fico muito consternada ao ver que há pessoas que moram nas ruas que não têm nada para comer ou que fazem apenas uma "refeição" por dia. Comer deveria ser um direito de verdade! A nossa constituição de 1988 prevê a alimentação como direito social atrelado à educação, moradia, lazer, segurança, trabalho, saúde, assistência aos desamparados e proteção à maternidade e à infância. Porém, poucos governos têm pensado nisso como um direito.
Dia desses li uma notícia dizendo que representantes de 170 países se reuniram em Roma para discutir medidas para combater a fome até 2025 (http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2014/11/representantes-de-mais-de-150-paises-discutem-fome-no-mundo.html). A resposta é simples: para que todos pudessem comer, o mundo teria que ter uma melhor distribuição de renda. Bato sempre nesta tecla porque acredito que as pessoas não possuem as mesmas oportunidades na vida e que só um projeto de país via ação governamental, pode assegurar o direito a que seus cidadãos não tenham fome. O Brasil tem feito este esforço garantindo o mínimo através do Bolsa Família, mas ainda não é o suficiente.
Falar sobre a fome significa também falar sobre segurança alimentar: agrotóxicos, transgênicos, biodiversidade. Há muito tempo, por exemplo, acompanho a entrada dos transgênicos no nosso país e hoje mais do que nunca, tenho plena certeza que não é essa medida que irá reduzir a fome, mas enriquecer os poucos que possuem as maiores rendas do planeta. Penso que daqui há centenas de anos poderemos ter como direito social o comer com segurança (um sonho, uma utopia talvez).
Mas, o que nos toca mais diretamente, ainda mais nessa semana, é que poderíamos pensar em fazer ceias mais simples para que outros pudessem ter pelo menos uma saciedade. Não gosto dessas ações de fim de ano que buscam arrecadar alimentos para cestas básicas (O que é uma cesta básica? Básica para quem?), porque as pessoas precisam comer o ano inteiro e não somente no natal, e eu acho que isso é até um modo de aliviar a consciência daqueles que compram coisas sem necessidade. Mas, minha proposta é outra, é pensarmos numa ceia razoável, simples, para que assim pudéssemos, verdadeiramente, fazer jus ao que significa a data.
Certa vez, Jesus foi seguido por uma multidão. Ao entardecer, seus discípulos disseram para ele despedir as pessoas para que cada um procurasse comida e abrigo e Jesus mais que depressa disse: "Dai-lhes de comer", ao que eles retrucaram "nós só temos 5 pães e 2 peixes". Para quem acredita em milagres, isso foi o suficiente para alimentar a multidão, mas o princípio da ação estava em DIVIDIR. E se há algo que o natal pode nos trazer é a reflexão/ação para dividir o temos com os necessitados (não só no natal, mas no ano todo). Pense nisso!
Boas reflexões para o natal e para o ano que se aproxima!
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